Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987) é considerado um dos principais poetas brasileiros so século XXI, pois em sua obra reflete poeticamente as inquietudes de sua época, além da originalidade e habilidades únicas com a escrita.

Drummond era Mineiro da cidade de Itabira e participou da Escola Literária do Modernismo do Brasil, mais especificamente a Fase da Poesia de 30 que já gozava de grande liberdade de expressão.

Hoje vamos comentar e analisar algumas das principais poesias de Drummond, um dos grande ícones literários brasileiros, especialmente importante para os vestibulandos de São Paulo, pois a partir de 2012 seu livro Sentimento do Mundo entro na Lista Obrigatória de Leituras de importantes vestibulares – Fuvest e Unicamp.

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Escultura de Carlos Drummond de Andrade, Praia de Copacabana

Poesias de Carlos Drummond de Andrade e Frases do Autor

As sem-razões do amor 

Eu te amo porque te amo,/Não precisas ser amante,/ e nem sempre sabes sê-lo./ Eu te amo porque te amo./ Amor é estado de graça/ e com amor não se paga.

Amor é dado de graça, / é semeado no vento,/na cachoeira, no eclipse./Amor foge a dicionários/ e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo/ bastante ou demais a mim./ Porque amor não se troca,/ não se conjuga nem se ama./ Porque amor é amor a nada,/ feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,/ e da morte vencedor,/ por mais que o matem (e matam)/ a cada instante de amor.

Mas se desejarmos fortemente o melhor e,

principalmente, lutarmos pelo melhor…

O melhor vai se instalar em nossa vida.

Porque sou do tamanho daquilo que vejo,

e não do tamanho da minha altura.

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Poema Amar de Carlos Drummond de Andrade, apaixonante e inspirador!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Falar é completamente fácil, / quando se têm palavras em mente/ que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes/ o que realmente queremos dizer,/ o quanto queremos dizer,/ antes que a pessoa se vá.

Recomeçar

As lembranças passadas ficam, tudo que vivemos era pra ser vivido , o destino é como um livro do qual nós somos os autores (…) no final deixamos nossas historias marcadas no coração daqueles, que sempre farão parte de nossa historia, onde quer que estejam. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo.

Livro Sentimento do Mundo - Comentários e Breve Análise

Essa Obra foi publicada em 1940, sendo seu terceiro livro e que marca uma sensivel marca na orientação da poesia do autor, comentada por ele próprio: ” Meu primeiro livro, Alguma Poesia (1930), traduz uma grande inexperiência do sofrimento e uma deleitação ingênua com o próprio individuo. Já em Brejo de Almas (1934), alguma coisa se compôs, se organizou; o individualismo será mais exacerbado, mas há também uma consciência crescente da precariedade e uma desaprovação tácita da conduta (ou falta de conduta) espiritual do autor. Penso ter resolvido as contradições elementares de minha poesia num terceiro volume, Sentimento do Mundo (1940).”

Essas contradições referem-se aos conflitos o eu e o mundo, e mostra na obra um interesse pelos problemas sociais, deixando o gauchismo (conflitos individuais e desencontro do eu) de lado. Isso faz parte também do contexto dessa poesia, um momento de Ascensão do Nazifascismo, Segunda Guerra Mundial, Estado Novo (extremamente autoritário de Getúlio Vargas) … A uma crescente na poesia social e engajada em questões sociais…

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Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

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