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Manuel Bandeira e Alcântara Machado – Modernismo, Lirismo Poético

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Manuel Bandeira e Alcântara Machado – Modernismo, Lirismo Poético

Por meio de Manuel Bandeira e Alcântara Machado, o Modernismo pode, em sua primeira fase, alargar horizontes e diversificar experiências. Com Bandeira, pelo resgate do Lirismo Poético, quase abandonado pelos demais modernistas. Co Alcântara Machado, pela conciliação de inovações técnicas e linguagem jornalística com a fala coloquial dos -italo-paulistas.

O poeta Manuel Bandeira, nasceu em Recife, (Recife, 1886 – Rio de Janeiro, 1968), fez seus estudos secundários no Rio de Janeiro e iniciou o curso de Arquitetura em São Paulo, mas foi obrigado a abandoná-lo em virtude de uma crise de tuberculose, que manifestou em 1904. Tratou-se e curou-se.

Inicialmente interessado em música e arquitetura, Bandeira descobriu a poesia. Devido a doença e o isolamento advindo dela, despertou para poesia. Os temas mais comuns de sua obra, são: entre outros…  a paixão pela vida, a morte, o amor e o erotismo, a solidão, a angústia existencial, o cotidiano e a infância.

Manuel Bandeira e o Modernismo –  A Semana da Arte Moderna, por exemplo,  enviou o famoso poema: ”Os sapos””, que, lido por Ronald de Carvalho, tumultuou o Teatro Municipal.  Na ocasião da Semana da Artye Moderna, Bandeira já publicara dois Livros, A cinza das horas (1917) e Carnaval (1919), em que se verificam influências pós-simbolistas.

Confira de Manuel Bandeira a Evocação a Recife

 Recife

Não a Veneza americana

Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais

Não o Recife dos Mascates

Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois

– Recife das revoluções libertárias

Mas o Recife sem história nem literatura

Recife sem mais nada

Recife da minha infância

A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado

e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas

Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê

na ponta do nariz

Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras

mexericos namoros risadas

A gente brincava no meio da rua

Os meninos gritavam:

Coelho sai!

Não sai!

A distância as vozes macias das meninas politonavam:

Roseira dá-me uma rosa

Craveiro dá-me um botão

(Dessas rosas muita rosa

Terá morrido em botão…)

De repente

nos longos da noite

um sino

Uma pessoa grande dizia:

Fogo em Santo Antônio!

Outra contrariava: São José!

Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.

Os homens punham o chapéu saíam fumando

E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.

Rua da União…

Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância

Rua do Sol

(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)

Atrás de casa ficava a Rua da Saudade…

…onde se ia fumar escondido

Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora…

…onde se ia pescar escondido

Capiberibe

– Capiberibe

Lá longe o sertãozinho de Caxangá

Banheiros de palha

Um dia eu vi uma moça nuinha no banho

Fiquei parado o coração batendo

Ela se riu

Foi o meu primeiro alumbramento

Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu

E nos pegões da ponte do trem de ferro

os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras

Novenas

Cavalhadas

E eu me deitei no colo da menina e ela começou

a passar a mão nos meus cabelos

Capiberibe

– Capiberibe

Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas

Com o xale vistoso de pano da Costa

E o vendedor de roletes de cana

O de amendoim

que se chamava midubim e não era torrado era cozido

Me lembro de todos os pregões:

Ovos frescos e baratos

Dez ovos por uma pataca

Foi há muito tempo…

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros

Vinha da boca do povo na língua errada do povo

Língua certa do povo

Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil

Ao passo que nós

O que fazemos

É macaquear

A sintaxe lusíada

A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem

Terras que não sabia onde ficavam

Recife…

Rua da União…

A casa de meu avô…

Nunca pensei que ela acabasse!

Tudo lá parecia impregnado de eternidade

Recife…

Meu avô morto.

Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro

como a casa de meu avô.

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Entre as inúmeras contribuições deixadas  pela poesia de Manuel Bandeira, duas se destacam: o seu papel decisivo na solidificação da poesia de orientação modernista, com todas as suas  implicações ( verso livre, língua coloquial, irreverente, liberdade criadora, etc), e o alargamento da lírica nacional pela sua capacidade de extrair poesia das coisas aparentemente banais do cotidiano.

Alcântara Machado: a  linguagem cinematográfica

Antônio de Alcântara Machado (1901 – 1935), nasceu em São Paulo e proveio de uma tradicional família paulistana. Formado em Direito, iniciou-se na literatura como crítico teatral, no Jornal do Commercio. Em 1925, viajou á Europa, onde colheu impressões para seu livro de estréia, Pathé Baby, prefaciado por Oswald de Andrade.

Ligado ao Modernismo, foi redator e colaborador de Terra Roxa e Outras Terras, da Revista de Antropofagia e da Revista Nova. Dedicou-se a crônica jornalística (Cavaquinho e saxofone, edição póstuma), á prosa ficcional (Brás, Bexiga e Barra Funda; Contos avulsos, edição póstumas; Mana Maria, romance inacabado) e á pesquisa histórica.

Sua linguagem é leve e bem-humorada, espontânea e comunicativa, resultado de sua atuação como jornalista.  Modernista típico, Alcântara Machado foi um escritor com a alma popular. Suas histórias são um importante documento da vida urbana e operária da cidade de São Paulo das primeiras décadas do século XX.

Brás, Bexiga e Barra Funda: O foco na sociedade italiana

Interessado pela vida na cidade, o universo retratado por Alcântara Machado é o espaço urbano de São Paulo, em especial dos bairros dos imigrantes italianos – Brás, Bexiga, Barra Funda e Mooca – embora não faltem citações sobre os pontos considerados ‘nobres’ e ‘centrais’ da cidade – como a Avenida Angélica, Higienópolis, Paulista, Rua Barão de Itapetininga e Largo Santa Cecília. No conto Carmela, a personagem passeia pela cidade e conduz o leitor ao reconhecimento de alguns desses lugares com indicações dos nomes e, às vezes, até o número da casa ou da loja.

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  • manuel bandeira e alcantara machado
  • Qual é a diferença entre Manuel Bandeira e Alcântara Machado

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